Brasil

Anvisa libera teste em humanos da 1ª vacina contra malária vivax, feita na UFMG

Fase inicial terá 48 voluntários acompanhados por 360 dias; Ministério da Saúde prevê R$ 12 milhões para os ensaios.

Saúde · Por Redação Espia Nordeste · 10 de outubro de 2026, 22h04

Imagem ilustrativa: mosquito Anopheles. Ilustração de Ryan Kissinger / NIAID / Domínio público / Wikimedia Commons

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) autorizou o começo dos testes em humanos da Vivaxin, vacina brasileira contra a malária causada pelo parasita Plasmodium vivax, o responsável pela maior parte dos casos da doença no país. A informação foi divulgada neste sábado (10) pelo Ministério da Saúde.

O que se sabe

Segundo o ministério, a vacina foi desenvolvida pelo Centro de Tecnologia de Vacinas (CTVacinas) da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), com tecnologia 100% nacional. É apresentada como a primeira do mundo voltada ao P. vivax: as duas vacinas contra malária hoje recomendadas por autoridades sanitárias foram feitas para outra espécie, o Plasmodium falciparum, que predomina na África.

Nesta primeira fase, 48 voluntários de 18 a 59 anos, que nunca tiveram malária, vão receber o imunizante. O estudo avalia segurança, reações à aplicação e se o corpo produz resposta imunológica. O acompanhamento dura 360 dias. O Ministério da Saúde prevê R$ 12 milhões para as fases I, II e III dos ensaios clínicos.

O que muda para você

Por enquanto, nada muda na rotina: a vacina ainda precisa passar pelas próximas fases, que medem a eficácia, antes de qualquer uso pela população. A prevenção continua sendo evitar a picada do mosquito Anopheles, o mosquito-prego, mais ativo ao entardecer e ao amanhecer. Febre, calafrios e dor de cabeça depois de passar por área de transmissão pedem procura imediata por um posto de saúde.

E o Nordeste?

O Maranhão faz parte da Amazônia Legal, onde se concentra a maioria dos casos do país, ao lado de Acre, Amapá, Amazonas, Mato Grosso, Pará, Rondônia, Roraima e Tocantins. Nos demais estados as notificações são poucas, mas, segundo o ministério, a letalidade fora da região amazônica é maior. A doença também é conhecida por nomes populares como maleita, sezão e batedeira.

Contexto

O Brasil registrou 118.037 casos de malária em 2025, de acordo com o Ministério da Saúde. A doença não passa de uma pessoa para outra: a transmissão depende da picada da fêmea infectada do mosquito. Sem tratamento adequado, o paciente pode continuar sendo fonte de infecção por meses ou anos.

Fontes: Ministério da Saúde, via Agência Brasil; Imirante; Bahia Notícias

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